Resenha: São Paulo Sociedade Anônima [1965]
Lançado em 1965, o filme reestreia nos cinemas brasileiros em versão remasterizada.
Um clássico do cinema sempre será um clássico, ainda que haja qualquer disputa geracional sobre o assunto ou posição em qualquer lista de melhores de alguma coisa feita por alguém. Uma obra perfeitamente encaixada nesse quesito é São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sérgio Person, lançado em 1965.
Estrelado por Walmor Chagas, Eva Wilma e grande elenco, o longa traz a história de Carlos, um homem de seu tempo que, entre amores e desgostos, raramente está satisfeito consigo ou com os outros em qualquer momento do dia. Tudo é motivo de frustração: o emprego, as mulheres com quem tem casos, o patrão. Um dos pontos que confundem e, ao mesmo tempo, ajudam a transformá-lo em um personagem muito humano é nem ele mesmo saber o motivo dessa insatisfação.
Essa confusão ganha muito corpo com a edição não linear. Entre as idas e vindas, é possível compreender as motivações, arrependimentos, brigas desnecessárias, momentos impulsivos e tudo que engloba essa personalidade forte por fora, mas extremamente frágil quando está em crise. E um homem demonstrar qualquer nível de fragilidade naquela época era motivo de chacota e fraqueza perante outros homens.
Disponível no YouTube há muito tempo e, recentemente, uma versão digitalizada na Netflix, nada consegue replicar a sensação de assistir São Paulo Sociedade Anônima no cinema, principalmente para se dar conta da importância das composições de Cláudio Petráglia no decorrer da narrativa. O impacto sonoro de determinadas cenas ganha um contexto grandioso nessa tormenta de sentimentos de Carlos, diferentemente de assistir em uma TV em casa — ou pior ainda, no celular.
Remasterizado em 4K pela Lauper Films, a Cinemateca Brasileira e a Cineteca di Bologna, com o apoio da The Film Foundation e da Hobson Lucas Family Foundation, o filme, que reestreia nos cinemas amanhã [26], retrata uma época de profundas transformações no Brasil que, querendo ou não, tem Carlos como o grande exemplo de como essas exigências podem custar muito caro.
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Muito bom!